sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Biomas brasileiros



domingo, 2 de dezembro de 2018

Bioma amazônico (Painel do Coronel Paim)

terça-feira, 6 de novembro de 2018

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O emocionante primeiro voo de Lara, a arara que teve de aprender a viver em liberdade.

Ibama e ONG soltam cerca de 29 araras-canindé e tucanos apreendidos no comércio ilegal de animais; muitas das aves resgatadas do tráfico precisam ser 'treinadas' para se adaptar.


Arara Lara teve de aprender a viver em liberdade (Foto: Instituto Vida Livre/BBC)


Em novembro de 2016, a arara-canindé Lara foi resgatada, ainda bebê, pela polícia de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, quando era vendida por traficantes de animais.

Foram necessários oito meses para que Lara fosse libertada. Nesse período, ela precisou "aprender a ser arara".
"É um processo quase traumático, voltar à liberdade. É como uma pessoa que está presa há muito tempo e precisa descobrir o que fazer sozinha", disse à BBC Brasil Roched Seba, diretor da ONG Instituto Vida Livre.
Lara faz parte de um grupo de 14 araras-canindé e seis tucanos que foram reabilitados pelo Ibama e pelo Instituto Vida Livre, e libertadas próximo a Aragoiânia, Goiás, no último fim de semana.
“A arara-canindé é um problema muito grande no Brasil inteiro, porque elas como são muito numerosas e comuns de serem vendidas como animais de estimação, acabam em feiras, nas casas das pessoas ou abandonadas."

 

Escola de pássaros

Após o resgate, Lara e outros pássaros foram examinados e tratados na unidade de triagem do Ibama em Seropédica, no Rio.
"Ela chegou bem magrinha e desidratada, mas, como era filhote, a reabilitação foi até mais fácil", disse à BBC Brasil a veterinária Taciana Sherlock, do Ibama, que coordena o projeto.
"O processo pode durar mais de seis meses, a depender do tempo que o animal ficou em cativeiro. Alguns não conseguem mais se reconhecer como araras, de tão domesticados que são. Precisamos isolá-los do contato com humanos."
No centro, os pássaros são submetidos a exames de sangue, coleta de parasitas, e avaliações da estrutura muscular, da integridade das penas e da capacidade de voo.
Em um viveiro, eles são estimulados a voar de um lado a outro, para fortalecerem as asas e reaprenderem a se movimentar fora das gaiolas.
“Algumas nunca terão condições de voltar para a natureza porque são muito idosas, muito mansas ou têm mutilações nas asas", diz Seba.
Antes mesmo de receberem o treinamento, os pássaros resgatados já tiveram a sorte de sobreviver.
Cerca de 40 milhões de animais são vítimas do tráfico de fauna todos os anos no Brasil, segundo Sherlock. A maioria deles são aves.
Dados recolhidos pelo Ibama mostram que para cada animal vendido, nove morrem nos processos de captura, transporte e venda.

 

Voo

Na semana passada, Lara e suas companheiras enfrentaram uma jornada de 15 horas, que incluía seu primeiro voo de avião, para chegar a uma fazenda em Goiás, onde seriam soltas.
Lá, elas permaneceram por cinco dias em outro viveiro, enquanto se adaptavam ao novo ambiente. Mas a viagem não necessariamente significou uma volta ao lar.
“Um problema muito grave que temos com araras e tucanos é que eles são deslocados de suas áreas de ocorrência natural. Não dá para saber exatamente de onde saiu cada um”, explica Seba.
Para facilitar, os pássaros são soltos em Goiás, uma das áreas onde estão biologicamente bem adaptados a viver.
As araras-canindé ocorrem no Centro-Oeste brasileiro, no Cerrado, no Pantanal e em algumas áreas da Amazônia. Mas já foram registradas da Bolívia até o sul do México.
Quando a porta do viveiro foi aberta, Lara foi uma das primeiras a dar uma volta.
O cativeiro ainda ficará disponível para que algumas das araras e tucanos voltem para dormir, enquanto se acostumam com a liberdade.

Postado por: Giovana M. de Araújo

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Cientistas desvendam 600 plantas amazônicas

Grupo quer mapear espécies de bioma menos conhecido do que o da Mata Atlântica

Cientistas desvendam 600 plantas amazônicas
Força-tarefa. Mapeamento envolve 74 botânicos de 22 instituições, que viajam para a floresta para coletar amostras


RIO - Nem tudo são florestas e árvores gigantes, quando se fala na vegetação amazônica. Na Serra de Carajás, no sudeste do Pará, no topo de morros de 800 metros de altitude, se espalha uma vegetação rasteira que recobre os campos ferruginosos, também conhecidos como cangas. Uma pesquisa que reúne 74 botânicos de 22 instituições do País e do exterior propõe revelar parte dessas espécies, algumas em risco de extinção.
O grupo descreveu 600 espécies, entre samambaias, musgos, flores. O estudo, parceria do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Instituto Tecnológico Vale (ITV), será publicado em três volumes da Rodriguésia, prestigiada publicação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O primeiro, lançado neste mês, descreve 235 espécies.
“O bioma da floresta amazônica é o mais desconhecido do País. São 11 mil espécies descritas. A Mata Atlântica, uma tripa na parte leste do País, tem 15 mil espécies conhecidas, mais do que na floresta amazônica. Só tenho uma conclusão: falta conhecimento da flora amazônica”, afirma a botânica Ana Maria Giuliette, uma das coordenadoras do projeto, ao lado do botânico Pedro Viana.
A dificuldade de acesso e o escasso financiamento para esse tipo de pesquisa estão entre as causas para o pouco conhecimento da região. Para alcançar as áreas de cangas, muitas vezes só é possível chegar de helicóptero. “É muito difícil subir no ponto mais alto. Estradas são péssimas e há muitas árvores caídas. E é quando floresce que mais chove, o que dificulta ainda mais o trajeto”, diz ela.
A Floresta Nacional de Carajás tem 400 mil hectares. Entre 2% e 3% da região é de cangas. O Museu Goeldi fez as primeiras pesquisas sobre as plantas locais nos anos de 1970, no início da mineração em Carajás. Nos afloramentos de minério de ferro, onde não crescem árvores, pesquisadores iniciaram a coleta de pequenas plantas que recobriam a região. Em 2015, botânicos voltaram às áreas de canga para nova coleta sistemática.
“É preciso ter ideia de como são as plantas na natureza. Quando florescem? Quando produzem frutos? Tudo isso é importante quando a gente pensa em recuperação da área. A legislação diz que temos de usar sementes da mesma área para recuperar um trecho de mata. semente? Só saberemos fazendo esse acompanhamento”, afirma Ana Maria. “A União Internacional para Conservação da Natureza recomenda que esse monitoramento dure 10 anos. Estamos só começando”.
Catálogo. Entre as espécies estudadas está a flor de Carajás, espécie em perigo de extinção. A planta, uma trepadeira, pode atingir três metros. Os pesquisadores viajaram por dez dias na área da Serra Norte da Floresta Nacional de Carajás, único local em que a planta foi achada.
Após a coleta, exames de DNA revelam quais plantas são filogeneticamente próximas, ou “aparentadas”. A partir daí são identificadas família, gênero e espécie. Cada uma ganha ilustração a bico de pena e algumas têm fotografias de campo. Todas são georreferenciadas para permitir que pesquisadores as encontrem na natureza, no caso de nova coleta. E a flora é armazenada no Museu Goeldi.
“Com esse contingente de pesquisadores foi possível fazer a flora correta, autenticada, em pouco tempo como fizemos. Em nenhum lugar se produz flora em dois anos, como estamos fazendo com Carajás, com 600 espécies. Só pudemos fazer isso porque tivemos essa base coletada anteriormente pelo Museu Goeldi e porque contamos com todos os especialistas. Esse estudo permite que sejam recuperadas áreas afetadas pela mineração”, diz Ana Maria.
Postado por: Giovana M. de Araújo

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Região de recifes no rio Amazonas é maior bioma marinho do mundo

Menos de 1% da margem equatorial brasileira foi estudada até agora

O resultado das últimas pesquisas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) descobriram que bioma recifal marinho amazônico, na foz do rio Amazonas, é o maior bioma marinho do mundo. Os pesquisadores constataram que a região tem pelo menos 50 mil quilômetros quadrados.
A equipe de pesquisadores atua em um programa que tem o objetivo científico de investigar a história e a estrutura da Terra, a partir de pesquisas oceanográficas. O programa reúne parte significativa da comunidade científica atuante nas ciências do mar em águas profundas de diversos países.
A expedição deste ano foi realizada em parceria com o Greenpeace, que tem denunciado a ameaça de exploração de petróleo na região do bioma, o que colocaria em risco um ambiente que só agora começa a ser estudado.
“A parceria com o Greenpeace foi fundamental para as descobertas científicas e para o desenvolvimento do conhecimento na região”, contou Fabiano Thompson, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Além de possuir meios flutuantes e equipe de bordo altamente competente, o Greenpeace traz à tona a problemática da produção de energia limpa e renovável no contexto global”, acrescentou o pesquisador.
Para Thompson, o estudo tem relevância para a realidade brasileira, ao mesmo tempo que nos coloca frente a um paradoxo. “A margem equatorial brasileira [e da Amazônia] é a região mais cobiçada por grandes nações desenvolvidas e, ao mesmo tempo, a região menos conhecida da nossa nação. Nosso entendimento das riquezas e potenciais da margem equatorial é muito reduzido, nos colocando em uma posição desfavorável frente aos desafios globais.” Segundo o pesquisador, menos de 1% da margem equatorial brasileira foi estudada até agora.
Postado por: Giovana M. de Araújo